Profissões mais bem pagas em Portugal: os valores de 2026
Publicado a 20 de outubro de 2026

O Guia Salarial 2027 da Robert Half divulgado esta semana no Brasil projeta salários de até 93,5 mil reais mensais e colocou a discussão sobre profissões em alta no topo do noticiário. Em Portugal, a mesma pergunta tem resposta com dados nacionais: dois estudos recentes — a terceira edição do Estudo de Tendências Salariais 2026/2027 da Randstad Research e o levantamento da ManpowerGroup — mostram quem ganha mais, quanto e em que setores as empresas estão a contratar.
Onde estão os salários mais altos
Segundo o ranking da ManpowerGroup para 2026, o topo do mercado português pertence à direção: o Chief Financial Officer ganha entre 90 mil e 150 mil euros por ano, seguido do CTO/CIO (70 mil a 150 mil) e do diretor de engenharia ou diretor técnico (90 mil a 130 mil). A tecnologia domina a metade superior da lista: Chief Information Security Officer entre 70 mil e 120 mil, Cloud Architect entre 60 mil e 95 mil, Platform Engineer/SRE entre 60 mil e 90 mil e Data Engineering Lead entre 60 mil e 85 mil euros anuais.
Médias por setor em Portugal
O estudo da Randstad, que cruza a base de contratação da empresa com dados do INE e do Eurostat, mede as remunerações brutas médias anuais por área. As tecnologias de informação lideram as médias, entre 40 mil e 55 mil euros. Life Sciences chega ao teto mais alto — 35 mil a 60 mil euros —, seguindo-se banca e seguros (35 mil a 50 mil), engenharia e indústria (33,5 mil a 49,5 mil), healthcare (30 mil a 46 mil), marketing (26 mil a 36,5 mil), vendas (23 mil a 39,5 mil) e o conjunto de finanças, RH e jurídico (24 mil a 33,5 mil euros).
Quem as empresas procuram
Nas TI, a procura concentra-se em especialistas de cloud e security, data analytics, BI e IA, desenvolvimento de software, aplicações de negócio (CRM/ERP) e gestão de TI. Em healthcare, enfermeiros, médicos, técnicos de farmácia e farmacêuticos. Na engenharia, diretores de obra, engenheiros de automação e robótica e técnicos de supply chain. Na banca, compliance officers e private bankers. A especialização atravessa todas as listas — o mesmo padrão que o guia brasileiro aponta para 2027.
Emprego que cresce de facto
Os números do INE citados no estudo mostram onde o emprego realmente aumentou: a informação e comunicação empregava 237,2 mil pessoas no segundo trimestre de 2026, mais 27,6 mil do que um ano antes (+13,2%). A saúde e o apoio social reuniam 567,7 mil trabalhadores (+43,2 mil, +8,2%) e a indústria no conjunto 1.333,7 mil (+43 mil). Para quem escolhe área ou muda de carreira, estes são os setores com procura comprovada.
Técnicos especializados também sobem
O levantamento da ManpowerGroup destaca ainda funções técnicas com remunerações em ascensão: encarregado de obra entre 25,3 mil e 39,9 mil euros anuais, técnico de manutenção/AVAC entre 21,6 mil e 34,4 mil, motorista de pesados internacional entre 21 mil e 32,2 mil e mecânico industrial entre 25,2 mil e 29,4 mil euros. A escassez de qualificação, e não o diploma, é o que sustenta estes valores.
Como usar estes números
As faixas indicam o mercado para perfis especializados; quem está no início ganha tipicamente o valor inferior da banda. Antes de negociar, compare com o salário mínimo de 2026 e com a realidade da sua região — a procura varia entre distritos, como se vê no emprego em Aveiro ou nos setores que contratam em Braga. E se a mudança de área passar por formação, os cursos online gratuitos do IEFP são o ponto de partida com custo zero.
O próximo passo prático é o currículo: atualize-o com as competências que o mercado paga — cloud, segurança, dados, IA aplicada — e use o gerador de CV do Emprego em Portugal para o preparar em minutos.