Candidaturas ao ensino superior 2026: calendário e datas
A DGES divulgou o calendário do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior para 2026/2027. A primeira fase de candidaturas decorre entre 20 de julho e 6 de agosto, com resultados a 23 de agosto. O total de vagas públicas sobe para 78 283 — mais 1 465 do que no ano anterior — com destaque para o aumento em Medicina e Educação Básica. Eis as datas, os números e os passos que candidatos precisam de conhecer.
Calendário das três fases
O concurso nacional de acesso funciona em três fases distintas. Cada fase tem prazos próprios de candidatura, divulgação de resultados e matrícula. Perder um prazo significa ter de esperar pela fase seguinte — e as vagas diminuem a cada rodada.
1.ª fase
A candidatura abre a 20 de julho para todos os contingentes. Candidatos no contingente prioritário para emigrantes, familiares que com eles residam e lusodescendentes, bem como quem solicite a substituição de provas de ingresso por exames estrangeiros, têm até 27 de julho para entregar a candidatura. A generalidade dos restantes candidatos dispõe de prazo até 6 de agosto.
Os resultados saem a 23 de agosto. O período de matrícula e inscrição para colocados decorre entre 24 e 27 de agosto. As reclamações podem ser apresentadas até 28 de agosto.
2.ª fase
A segunda fase abre a 24 de agosto e fecha a 2 de setembro. As vagas disponíveis são divulgadas a 1 de setembro — nesta fase entram sobrantes da primeira, cancelamentos e lugares adicionais autorizados pelas instituições. Os resultados são publicados a 13 de setembro, com matrículas de 14 a 16 de setembro.
3.ª fase
A última fase de candidaturas decorre nos dias 22, 23 e 24 de setembro. Os resultados chegam a 30 de setembro e a matrícula prolonga-se até 2 de outubro. Esta fase tende a ter vagas residuais, sobretudo em instituições do interior e em cursos com procura mais reduzida.
Total de vagas em 2026/2027
O sistema público de ensino superior disponibiliza 78 283 vagas, um acréscimo de 1 465 em relação a 2025, de acordo com o despacho do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI). O ensino privado abre 29 315 lugares, mais 1 417 do que no ano anterior. No total, há 107 598 lugares em licenciaturas e mestrados integrados em Portugal — mais 2 882 que em 2025.
Os maiores aumentos registam-se em regimes especiais de acesso: vagas para titulares de Diploma de Técnico Superior Profissional crescem 19,3% (+233 lugares), Cursos de Dupla Certificação sobem 14,7% (+118 lugares) e vagas para estudantes internacionais aumentam 11,4% (+199 lugares). A diversificação de vias de acesso reflete a aposta do Governo na qualificação profissional como porta de entrada para o ensino superior.
Medicina e Educação: onde há mais vagas
Medicina volta a bater recordes de vagas: 1 656 lugares em 2026/2027, mais 62 do que no ano letivo anterior. O aumento resulta da abertura de um novo curso na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), com 40 vagas, e de um reforço de 22 lugares na Universidade de Coimbra.
Na área da Educação Básica, o crescimento é de 12%, correspondendo a mais 147 vagas. Este reforço insere-se nos contratos-programa assinados entre o Governo e dez instituições de ensino superior para mitigar a falta de docentes no país. O Estado disponibiliza ainda 2 500 bolsas anuais para novos estudantes em licenciaturas e mestrados de formação de professores, cobrindo o valor integral da propina.
Mudanças nas provas de ingresso
Após a redução de caloiros registada no ano letivo 2025/2026 — resultado, em parte, da exigência de duas provas de ingresso mínimas — o MECI alterou as regras. As instituições podem agora definir, para além do elenco principal, dois elencos alternativos, cada um constituído por uma única prova de ingresso. A medida retoma a regra que vigorou até 2024, quando eram admitidas entre uma e três provas.
Segundo os dados do próprio ministério, os cursos que mais aumentaram o número de provas obrigatórias foram os que registaram maior quebra de novos inscritos. A flexibilização pretende reverter essa tendência, embora o Presidente da República tenha manifestado reservas quanto ao risco de uma leitura minimalista da nova regra por parte de algumas instituições.
Como se candidatar: passos práticos
A candidatura realiza-se inteiramente online, no portal da DGES. Quem ainda não possui senha de acesso deve solicitá-la na secção de Pedido de Atribuição de Senha e entregar a confirmação numa escola secundária ou num Gabinete de Acesso ao Ensino Superior (GAES) da área de residência.
Antes de formalizar a candidatura, convém verificar quatro pontos:
- Condições de acesso: confirmar que se reúne os requisitos académicos (diploma do 12.º ano ou equivalente)
- Provas de ingresso: verificar quais as provas exigidas pelo curso pretendido e se as classificações cumprem os mínimos
- Contingentes especiais: verificar se se enquadra em algum contingente (emigrantes, CPLP, deficiência, desportistas de alta competição)
- Pré-requisitos: alguns cursos exigem provas físicas, audições ou entrevistas (enfermagem, artes, desporto)
O Guia da Candidatura 2026, disponível no site da DGES desde março, contém toda a informação sobre vagas, provas e fórmulas de cálculo para cada par instituição/curso. A plataforma InfoCursos do Ministério da Educação oferece dados de empregabilidade por curso, ano letivo e instituição — uma ferramenta útil para quem pondera a escolha com base nas perspetivas de emprego.
Estudantes internacionais e CPLP
Candidatos oriundos de países lusófonos (CPLP) dispõem de contingente próprio, com vagas reservadas em diversas instituições públicas. As regras variam por universidade e politécnico: algumas exigem candidatura simultânea ao concurso nacional, outras realizam concursos locais próprios. Os prazos podem diferir dos do regime geral, pelo que é essencial consultar diretamente o edital de cada instituição.
Estudantes internacionais em geral (fora da CPLP) candidatam-se igualmente através do portal da DGES ou dos concursos locais das instituições. As vagas para este contingente aumentaram 11,4% em 2026/2027, totalizando mais de 1 900 lugares.
Depois da colocação: matrícula e inscrição
A matrícula é presencial na maioria das instituições, embora algumas aceitem processo parcialmente online. O candidato colocado deve apresentar-se com documento de identificação, comprovativo de colocação (disponível no portal da DGES), certificado de habilitações e fotografias. O não comparecimento no prazo de matrícula implica a perda do lugar, que reverte para a fase seguinte.
Para quem não for colocado na primeira tentativa, a segunda e terceira fases oferecem uma segunda oportunidade — desde que haja vagas nos cursos pretendidos. O calendário completo, incluindo prazos de reclamação e datas de audiências, encontra-se publicado no site da DGES e aguarda publicação oficial em Diário da República.